sexta-feira, 15 de julho de 2016

Primeiras Impressões: Periguete Apaixonada - Kamila Cavalcante

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Olá, amores! Tudo bem?! (espero que sim!)
Então, hoje eu vim com mais um post de primeiras impressões de um livro nacional! O lançamento dele é hoje na Amazon, quem quiser dar uma olhada, basta acessar o link: AQUI
SINOPSE:
“Maria Fernanda é uma periguete assumida que vive se metendo em confusões. Short curto e batom vermelho são sua marca registrada. Por onde passa, seu corpo, seu bom humor e loucura chamam atenção. Sempre animada e sem se importar com o que os outros pensam, Mafê é dona do próprio nariz. Contrariando o que todos acham, ela é uma eterna romântica que está à procura do verdadeiro amor sem deixar de se divertir, obviamente.
Carlos Eduardo é um dos maiores chefões do tráfico na capital Rio Azul. Comanda a favela Bela Flor onde vive em quase harmonia. Apesar de ser um homem violento, ter problemas com a polícia e com a justiça, Cadu, como é conhecido, é um homem venerado pela maior parte da comunidade e respeitado por muitos na cidade. Cadu é centrado e sempre coloca o trabalho acima de quase tudo. Ele não confia em mulher alguma e segundo ele, elas só servem de passatempo. Pegou, desapegou. Esse é o seu lema com elas.
Mafê vai enxergar em Cadu o homem perfeito para se apaixonar e vai encarar o desafio de fazer com que ele se apaixone por ela.
Embarque nessa aventura com o pessoal da Bela Flor e descubra se, e como, Mafê vai conseguir essa proeza, mas para isso: Liberte seu lado romântico. Liberte sua periguete interior.”
Primeiramente, eu gostaria de falar do título do livro, pois, original, acima de qualquer coisa, o define! Tenho certeza absoluta que nunca vi um livro com esse título e ele, definitivamente, assim como a sinopse e a capa, é MUITO a cara da estória.
Durante a semana passada, no Insta do blog e em um grupo do whatsapp eu falei muito sobre o livro com algumas pessoas e a reação de muitas delas foi tipo: “SÉRIO QUE EXISTE UM LIVRO UM ESSE TÍTULO? KKK”
Portanto, eu quero lembrar que preconceito literário (por causa de gênero/capa/título) é feio, você está julgando algo que sequer conhece ainda (e nem mesmo conhecer, te dá o direito de julgar. Respeito acima de tudo, ok?!) Claro que há gostos e gostos (como diz minha ex instrutora: gosto é igual pescoço, todo mundo tem o seu) e apenas você sabe o que te agr biada numa leitura e o que não agrada, mas julgar e criticar de forma tão pejorativa é inaceitável. Sim, a personagem é uma periguete, mas seu preconceito quer dizer o quê? Que elas não se apaixonam ou que não devem ser personagens principais de um livro? Ou o título não pode ser original assim? Fala sério! Seja menos preconceituoso, a sociedade (principalmente a literária) agradece.

Agora sim, sobre o livro em si:
Gente, é um chick-lit simplesmente inédito e absolutamente incomum, por isso, desde os primeiros capítulos, ele me prendeu de uma forma que somente os livros da Sophie Kinsella conseguiram fazer. As escritas, óbvio, são divergentes, afinal, todo autor tem seu jeito todo especial de escrever, mas a escrita da Kamila é direta e traz muito nacionalismo e até gírias que dão uma verdade incontestável a estória. Tipo, você pensa: eu acho que conheço uma Maria Fernanda (personagem principal do livro), tenho certeza que conheço. E sabe por que? Porque ela tem a essência da mulher brasileira, não é como a maioria das personagens, Mafê tem a sua originalidade como a sua maior qualidade: é divertida, sem papas na língua, linda, sabe o que quer e não vê obstáculos suficientes para impedi-la de conseguir isso. Ela é muito julgada, principalmente pelos homens (que acreditam que podem tratá-la como lixo), mas ela não deixa de ser quem realmente é e todos que a conhecem de verdade, gostam dela exatamente por isso: por ser verdadeira e não se deixar abalar pelo preconceito dos outros.
Conceito de Piriguete
“ Piriguetes são as mulheres independentes e liberais, que procuram ter várias relações sexuais sem estabelecer um critério muito assertivo para suas escolhas.
[...]
Uma das características populares das piriguetes é que elas não se apegam emocionalmente aos seus parceiros com facilidade, pois não estão à procura de um relacionamento duradouro.” (fonte: www.significados.com.br)
Para Mafê, se ter uma vida sexual liberal, ser independente (financeiramente e emocionalmente) de qualquer homem e não se importar com a opinião alheia faz dela uma “periguete”, ela não se importa minimamente com isso. E eu a admiro por isso, porque é uma escolha dela, ela é livre para escolher o que quiser e conseguir deixar de lado as ofensas e o preconceito ridículo da sociedade, não é fácil e nunca foi.
O livro se passa em uma cidade criada pela autora, em Rio Azul, numa favela chamada Bela Flor, é narrado pelo ponto de vista dos personagens principais, da Maria Fernanda e Carlos Eduardo (Mafê e Cadu, respectivamente), algo que eu realmente gostei já que assim podemos saber exatamente como cada um deles se sente e até o que pensam durante cada página do livro. As doses de humor colocadas, embora às vezes com certo exagero – o que deixou alguns trechos forçados – são um diferencial em um enredo que poderia ser somente mais um romance entre tantos. Não sei explicar, mas o toque cômico dentro de um romance entre uma periguete e um chefe do tráfico de um morro, não ficou estranho, talvez isso seja porque esse humor combina perfeitamente com a personalidade distinta da Mafê, em contrapartida, um ponto que em alguns trechos, mesmo sendo ficção, não conseguiu me convencer, foi o fato do Cadu (sendo um chefe do tráfico), por mais peculiar que seja, também ter seus momentos de humor, assim como alguns personagens que “trabalham” com ele. Não é que tenham sido todos os trechos, porque muitos me fizeram sim rir, ou que isso jamais pudesse acontecer, já que existem pessoas atrapalhadas em cada canto do mundo, mas talvez eu tenha sentido falta do homem de má índole, do perigoso, inescrupuloso e malvado, que sabemos que um “bandido” realmente “tem” que ser (o chefe de tráfico de um morro, mais precisamente), mas não há muito disso. Sim, também percebemos que o Cadu não segue o estereótipo que eu descrevi acima, ele, embora de algumas pessoas goste de ter o medo, prefere ter o respeito da maioria.
Eu li treze capítulos até agora e já percebi que há alguns segredos e detalhes em relação aos motivos de Mafê para ir morar na comunidade, também há a ansiedade de ver os dois finalmente juntos e, durante esses capítulos, você percebe que os personagens principais ainda enfrentarão alguns percalços por causa de escolhas erradas e algumas omissões que fizeram também, então em você o que resta é a vontade (cada vez maior) de descobrir qual será o desfecho da estória, o que fará duas pessoas tão diferentes ficarem juntas? Quando chegar a hora de descobrir a verdade sobre o que os dois realmente são, como eles reagirão?
Então, o que posso dizer para finalizar, é que estou ávida por concluir a leitura e, embora ainda não a tenha concluído, eu já recomendo para quem gosta de um romance simples, com boas doses de humor e até algumas cenas um pouco sensuais.
Periguete Apaixonada, logo nas primeiras páginas, me conquistou por sua peculiaridade, originalidade, senso de humor e, claro, pela escrita leve e simples. Definitivamente preciso de mais.