domingo, 15 de junho de 2014

Resultado - Segundo Lugar

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Antes de dizer qualquer coisa sobre a história, quero que a leiam primeiro.
Número exato de palavras: 6.121
Pseudônimo da autora: Mione Malfoy. 
Nome da História: O Início
  
O Início


Há quem diga que eu tive uma infância bem normal. A verdade é que ela foi tudo, menos normal. Ou pelo menos não foi igual a das outras garotas.
Não sei se sempre foi parte da minha personalidade, se foi porque 100% dos meus amigos são garotos ou se ambas as coisas, mas eu sempre agi muito mais como um menino. Eu não gostava de bonecas; preferia carrinhos. Amava correr com os pés descalços, brincava com pipas, jogava futebol, subia em árvores e em muros, fazia corridas com bicicletas, gostava de lutas com espadas de madeira improvisadas e amava vídeo games, principalmente os de tiros. Desde pequena sempre odiei vestidos e saias e minhas unhas das mãos sempre estiveram curtas pois tinha o mal hábito de roê-las. Tenho algumas cicatrizes que ganhei por minhas peripécias com o futebol, a bicicleta e minhas aventuras nas alturas, mas nunca foi nada sério e nem algo que ficasse muito visível.
Quando conto isso, as pessoas geralmente me perguntam porque eu preferia andar com os garotos e não fazer coisas normais de menina e minha resposta sempre foi a mesma: Qual a graça de ser igual a elas?
Não é que eu nunca tivesse tentado fazer as coisas ditas normais para o meu gênero, eu tentei bastante até, mas nunca consegui me encaixar. Eu não gostava delas, as garotas eram más. Eu sempre era a última a ser escolhida para qualquer brincadeira, sempre ficava com a pior boneca, e quando íamos brincar de princesas eu era a empregada. Odiava aquilo.
Com os meninos era diferente, eles nunca me trataram diferente, eu era um deles. Eu corria tão rápido quanto qualquer um, era tão forte quanto qualquer um, jogava tão bem quanto qualquer um e às vezes até melhor que alguns deles. Eles não me viam como uma garota, eu era só mais alguém para brincar.
Quando fiz doze anos as coisas começaram a mudar. Tive minha menarca e minha mãe pareceu estar nas nuvens pois eu havia virado uma mocinha. A partir daquele dia eu tinha que me cuidar mais, prezar pela aparência, aprender a usar maquiagem, cuidar as unhas e mantê-las sempre grandes e pintadas, cuidar mais do meu cabelo, da minha pele e começar a usar roupas mais adequadas a uma garota. Em resumo: ser mais feminina. Pobre mamãe.
Naquela época, para mim, a única coisa que tinha mudado era que uma vez por mês eu ia me trancar em casa até que aquele período extremamente chato passasse. Pobre eu.
Com a chegada da minha adolescência vieram as mudanças em meu corpo. Meus seios começaram a se desenvolver, ganhei curvas e alguns centímetros também. Comecei a me interessar pelos garotos de uma maneira diferente mas não queria demonstrar isso com medo que meus amigos me achassem estranha. Foram os quatro anos mais difíceis da minha vida: Eu era uma garota que não se vestia como garota, não falava como garota e não agia como garota. Na escola os outros rapazes viviam correndo atrás das meninas normais enquanto eu era cercada por meus quatro amigos idiotas, Josh, Ian, Tom F. e Tom H. - os dois últimos os quais eu costumo chamar de gêmeos apenas por terem o mesmo nome - que insistiam em me tratar como um ser assexuado.
Aos dezesseis anos eu nunca nem tinha beijado ninguém enquanto mais da metade das garotas da minha idade já namorava e muitas até já haviam tido sua primeira relação.
Não que eu me importasse, claro que não, eu ainda não havia me apaixonado de verdade por alguém. Pelo menos não até aquele momento. Eu tinha meus objetivos na vida e apesar de todo o bullying que eu sofria, namorar não era um deles. Até porque fica meio difícil acreditar em relacionamentos com seus quatro melhores amigos trocando de namoradas como se troca de roupa. Os gêmeos não passavam mais do que um mês com qualquer garota. Tom H. preferia as loiras e Tom F. as morenas, mas eram sempre garotas com corpo de modelo e tão fúteis que me dava nojo. Josh era um pouco mais exigente, ele pelo menos costumava pegar garotas que tinham algo em comum com ele. Os mesmos gostos musicais ou que gostasse das mesmas matérias, sempre algo assim e claro que ela deveria ter o mínimo de inteligência. Seus namoros duravam entre um e três meses. Ian era o pior de todos eles, ele tinha uma verdadeira aversão a namoros. Pegou todas as garotas bonitas da escola, inclusive as ex dos gêmeos e de Josh.
Todos na escola achavam estranho e muita, mas muita gente mesmo, chegava para perguntar se eu namorava um deles ou todos eles. Os garotos e eu sempre, dávamos a mesma resposta: Não, somos todos melhores amigos e apenas isso.
Porque as pessoas achavam que tinha que haver algo entre mim e um dos garotos? Confesso que cheguei a ter minhas épocas de paixonites por Josh e que certa vez Tom F. chegou a tentar me beijar em uma festa depois de beber um bocado, mas não, nunca houve nada. Nós realmente éramos amigos e apenas isso.
Quando terminamos o segundo grau as coisas começaram a mudar.  Nós morávamos em Orlando na Flórida, mas Josh havia escolhido ir para a Universidade da Carolina do Sul, Tom F. e Tom H. apesar de parecerem com aqueles jogadores de futebol idiotas eram na verdade os melhores alunos do colégio e por isso acabaram indo para Harvard e Yale respectivamente. Eu e Ian escolhemos a Universidade da Flórida, não por não poder ir para outra, mas sim por não querer ficar muito longe de casa. A UF ficava em Gainesville, 178.6 km de casa, o que podia não parecer perto, mas pelo menos ficava no estado. Assim nós podíamos sempre voltar para casa e visitar a família.
O dia da mudança para a faculdade foi tranquilo. Graças aos céus meus pais não fizeram questão de me levar, então apenas coloquei tudo no carro e fui buscar Ian. Havíamos combinado de irmos juntos já que não conhecíamos ninguém lá e eu tinha medo de ficar sozinha. Não me julgue mal, não é que eu tenha medo das pessoas, é que é meio assustador você sair da sua casa para um ambiente tão hostil quanto o de uma faculdade e ter que enfrentar os outros calouros e os veteranos sozinha.  Ian riu bastante quando pedi que ele me acompanhasse mas concordou.
Parei o carro no estacionamento do prédio central da faculdade. Os veteranos estavam espalhados em grupos de dois ou três, recepcionando e orientando os calouros. Havia também alguns grupos de excursão onde os calouros eram apresentados aos diferentes locais do campus e os prédios mais importantes para cada curso. Ian pegou sua mochila e eu peguei a minha, tranquei o carro, me aproximei dele e ele me deu o braço. Fomos andando até o posto de orientação mais próximo e não demorou muito para que estivesse tudo acertado com nossa matrícula e todo o restante. Mais tarde receberíamos o número dos nossos respectivos dormitórios. Optamos por dar uma volta pelo campus com um dos grupos de excursão de orientação.
O campus era enorme, passamos pelos prédios principais, biblioteca, refeitórios, pelo campo de futebol, quadras de esportes, blocos de aulas, dormitórios e pelas casas das fraternidades. É a partir desse ponto que minha vida teve uma grande reviravolta, assim que a excursão acabou voltamos ao prédio central para pegar nossos kits de calouros e receber os números de nossos dormitórios. Uma veterana baixinha com os cabelos pintados de rosa e grandes olhos castanhos foi fazendo uma chamada, passou pelos dormitórios A e B e agora estava no C.
– Amber Johnson.
– Aqui! – disse uma garota morena que parecia ter saído direto de uma dessas revistas para adolescentes.
– Dormitório C, quarto 201.
A garota pegou a chave e saiu.
– David Bowman.
Um garoto moreno de olhos cinzentos da mesma altura e tipo físico de Ian tomou a frente.
– Dormitório C, quarto 201.
Entrei em pânico. O dormitório C era misto? O A era feminino e o B masculino, presumi que o C fosse feminino também. Antes que pudesse perguntar algo senti Ian me empurrando.
– Emily Davis?
Parecia ser a segunda vez que ela chamava então tomei a frente.
– Eu. – ergui a mão.
– Dormitório C, quarto 203.
– Espere, o dormitório C é misto?
– Sim. Porque? Está com medinho caloura? Saia da frente. Ian Price!
Olhei para trás e vi Ian tomando a frente. Céus, tomara que Ian ficasse no mesmo quarto que eu. Só de imaginar um garoto estranho dividindo o mesmo teto eu ficava apavorada.
– Eu. – respondeu Ian se postando ao meu lado.
– Dormitório C, quarto 203.
– Obrigado.
Ian pegou as chaves e eu senti um alívio tremendo. Olhei para ele e ia sorrir mas percebi que ele não parecia nada feliz com aquilo. Saímos andando até chegarmos ao carro e ele tomar o assento do motorista. Entrei no assento do carona e resolvi perguntar.
– O que aconteceu?
– O que?
– Você parece irritado.
– Impressão sua.
– Ian... Conheço você desde que nós tínhamos cinco anos. Quer me contar o que está havendo?
Ele deu a ré e bufou. Esperei que ele falasse mas ele seguiu calado todo o percurso até nosso dormitório. Assim que ele parou o carro me olhou e foi como se nada tivesse acontecido.
– Vamos Emmy?
– Ok. – disse revirando os olhos.
Pegamos algumas caixas de coisas que havíamos trazido e fomos subindo para o segundo andar. Os números ímpares ficavam no lado esquerdo do corredor e os pares no direito. Segui na frente com minha chave procurando nosso quarto, que pela lógica deveria ser o segundo. Passamos pela porta onde a tal Amber e David estavam. Ela era o típico exemplar de menina fútil que eu tanto odiava. David parecia irritado por ficar no mesmo quarto que ela. Ele virou-se para a porta no momento em que eu passava e me deu um sorriso. Retribui meio sem jeito, afinal, não era normal caras como ele me darem atenção. Até porque eu não recebia nenhuma atenção. Ian vinha logo atrás de mim e vi eles trocarem um olhar sério.
Era tão a cara dele, Ian fazia o estilo badboy e os outros garotos sempre se sentiam meio que ameaçados. Ri comigo mesma e olhei a próxima porta, um 203 estava gravado em um círculo metálico, puxei as chaves e abri.
Nosso quarto era aconchegante, tinha seis metros quadrados, de frente para a porta na parede oposta ficavam duas camas de solteiro, uma em cada canto, ladeadas por um criado mudo cada uma com uma grande janela no meio. Aos pés de cada cama haviam uma cômoda e um pequeno armário de duas portas, acima das camas, pregado na parede haviam um par de prateleiras para cada um, no canto esquerdo ao lado da porta havia uma estante onde poderíamos colocar qualquer coisa e no lado direito uma mini cozinha. No centro uma mesa com duas cadeiras que podia servir tanto para as refeições quanto para estudo, ainda na parede esquerda havia uma porta que dava para o banheiro, não era grande mas era suficientemente espaçoso embora chegasse apenas a metade do comprimento do quarto e com uns dois metros de largura.
Entrei no quarto com a sensação de que tudo iria mudar naquele ano. Mal sabia eu o quanto estava certa.
Escolhi a cama da esquerda e comecei a tirar as coisas de minha caixa, Ian se dirigiu a cama da direita e fez o mesmo. Coloquei umas fotos que havia trazido em cima da cômoda e pus meus livros na prateleira acima da cama, abri as portas do armário e as gavetas para receber minhas roupas e desci para buscar a mala.
No estacionamento tive dificuldades para tirar a bagagem do porta-malas, estava desistindo e esperando Ian voltar para me ajudar quando o garoto, David, do quarto ao lado me chamou.
– Hey! Emily certo? Quer ajuda?
– Ah. Não precisa se incomodar, meu parceiro de quarto já deve descer e me ajudar.
– Hmm. Entendo. Ele é seu namorado?
A intimidade da pergunta me pegou de surpresa, senti meu rosto corar e o baixei na mesma hora.
– Desculpe. Estou sendo intrometido. É que vocês vieram juntos e passaram o dia caminhando de braços dados por aí. Sabe, não precisa responder se não quiser.
– Ah. Bem. Ian é meu melhor amigo. Nos conhecemos desde crianças e sempre andamos juntos.
– Ah isso é bom. – Olhei para ele interrogativamente e ele corou – Quero dizer, a amizade de vocês. É raro ter amizades que durem tanto tempo. Escuta, tem certeza de que não quer ajuda?
– Não quero incomodar.
– Não se preocupe, não é nada.
Fiz sinal dando permissão para que ele pegasse minha mala e subimos até meu dormitório. Assim que passamos pela porta pude ver Amber se atirando nos braços do Ian, ele notou nossa chegada e se afastou da morena vindo até nós.
– Pode me passar a mala amigo. Deixe que eu cuido disso.
– Ah, ok. – David resolveu ignorar Ian e virou-se para mim. – Quer ajuda com mais alguma coisa Emily?
– Não, tudo bem. Obrigada por me ajudar.
– Sem problemas. A propósito, sou David, David Bowman. – disse estendendo a mão.
– Emily Davis. – disse estendendo a minha para retribuir. – esse é meu amigo Ian Price.
Ian acenou com a cabeça e se afastou levando minha mala para cima da minha cama. A morena se aproximou de mim me olhando da cabeça aos pés, como se me avaliasse. Em seguida me olhou com certo nojo e se apresentou.
– Amber Johnson.
Ela não estendeu a mão, nem fez nenhum tipo de movimento que indicasse que estava tentando me conhecer. Ela virou-se e foi até Ian, disse algo para ele, deu-lhe um beijo da bochecha e saiu indo para o próprio quarto.
– Ignorem. Ela é maluca. – disse David.
– Por quê? – perguntou Ian.
– Eu conheço a Am desde o ginásio. Ela era uma garota legal, no segundo grau ficou insuportável. Ela adora causar. Se derem atenção ela transforma a vida de vocês em pesadelo. Enfim, prazer conhecê-los. Se precisarem de alguma coisa é só dizer.
E se retirou. Ian me ajudou a tirar algumas coisas da mala e me deixou organizando tudo em minha cômoda e armário enquanto ia trazendo as próprias coisas devagar. Levamos o restante do dia para terminar tudo e resolvemos pedir uma pizza porque estávamos cansados demais para cozinhar ou sair.
A primeira semana na universidade foi bastante corrida. Eu ainda me confundia e tinha dificuldade de achar as salas de aula. Amber estava nas mesmas aulas que Ian e por isso não perdia a oportunidade de colar nele como um chiclete. David que era seu colega de quarto era sempre muito prestativo comigo mas ele e Ian continuavam mantendo distância segura um do outro. Pareciam dois pitbulls prestes a se atacar e eu não entendia o porquê. Ian agia como sempre quando estávamos a sós, mas bastava que um dos dois aparecesse e ele mudava.
Ao fim da primeira semana de aulas ia acontecer a festa de boas-vindas. Eu não estava preocupada com isso pois sabia que Ian me acompanharia. Mas tive uma agradável surpresa quando na sexta à tarde David veio me convidar para ir com ele.
– E então... – disse ele quando foi me buscar na saída da minha última aula. – Você vai na festa de boas-vindas?
– Sim.
– Vai com o seu amigo?
– Provavelmente.
– Hmm.
– O que foi?
– Ele não te contou que vai com a Am?
– Amber? Sua colega de quarto? – perguntei piscando surpresa. Ian não havia me contado nada. Droga.
– É. Ela o convidou ainda ontem. Imaginei que você tivesse ficado sem companhia.
– Bem. Fiquei.
– Quer ir comigo? – ele disse escondendo o rosto corado.
– ‘Tá falando sério?
– Sim.
– Não é pena? – eu perguntei desconfiada.
– Claro que não. – disse ele em tom ofendido.
– Desculpa. É que nunca ninguém me convidou pra nada antes.
– Sério? Porque?
– Eu sempre fui a estranha da escola.  – falei sem graça.
– Seus colegas de escola eram malucos.
– Obrigada. – Foi minha vez de corar.
– Então, vai comigo?
– Sim. – Sorri. – É amanhã à noite não é?
– Uhum. Te pego as sete?
– Claro.
– Ok então.
Já estávamos na frente dos nossos quartos, então ele me deu um beijo no rosto e eu entrei. Ao abrir a porta vi Ian tentando afastar Amber.
– Me solta.
– Porque?
– Você é maluca garota.
– Você está dizendo não para mim?
– Estou. Você é insuportável, agora saia daqui.
– ‘Tá me dando um fora? Mas e a festa amanhã?
– Não quero saber. Se vire. Agora saia já do meu quarto.
A garota virou-se para a porta e ficou ainda mais vermelha de raiva quando percebeu que eu presenciara toda a cena.
– Você me paga Price.
– Vá embora!
Ela bateu a porta e em seguida ouvimos outra batida quando ela passou pela porta do próprio quarto.
– O que houve? – Perguntei como quem não quer nada mas estava morrendo de curiosidade.
– A garota é louca. E completamente fútil.
– Hmm. Como se você se importasse com isso, senhor pegador. – enfatizei as palavras “senhor pegador” porque era o apelido que ele tinha durante a escola.
– Idiota. – disse atirando um travesseiro pra cima de mim.
– Babaca. – desviei e peguei o travesseiro do chão. – Porque está tão estranho ultimamente Ian?
– Não é nada Emmy.
– Sério que vai vir com esse papo de novo?
– Sério que não acredita em mim?
– Está bem. Não quer falar não fale. Depois não reclame ok? Sou sua amiga Ian, quero seu bem.
Ian fez uma careta e puxou uma toalha colocando-a no ombro.
– Preciso de um banho. Esfriar a cabeça. – ele esfregou os cabelos e pousou a mão na nuca. – Emmy, quer ir comigo na festa de boas-vindas?
– Desculpe, já tenho companhia.
– O que? – disse ele me encarando perplexo – Quem?
– David.
– Aquele imbecil?
– Ian! Qual seu problema com o garoto afinal? Ele tem sido super gentil conosco desde que chegamos.
– Você quer dizer com você não é?
– Você é um idiota.
Virei o rosto e fui me sentar em minha cama.  Ian passou por mim irritado e bateu a porta do banheiro. O que deu em você afinal? Joguei os cadernos e o material de aulas em cima do criado mudo, joguei o travesseiro de Ian em sua cama e deitei na minha tentando imaginar qual era o problema com meu amigo. Acabei pegando no sono e quando acordei já eram duas da manhã. Olhei assustada ao perceber que dormi com a roupa que usei na aula. Peguei minha toalha e corri para o banheiro, tomei um banho e em seguida coloquei meu pijama.
Eu estava sem sono nenhum. E também não havia chegado a nenhuma conclusão sobre Ian. Bati a mão na testa. Idiota. Você precisa descobrir o que ele tem. Olhei o espelho e vi meu reflexo me encarando irritado. Eu precisava dormir, descobriria o que havia de errado pela manhã. Pendurei a toalha e me deitei. A última coisa que passou pela minha cabeça foi Ian.
***
Acordei com o cheiro de ovos e bacon, a janela aberta deixava que a luz batesse em meu rosto. Virei rapidamente por causa da claridade repentina e soltei um resmungo.
– Já estava na hora.
– Que? – respondi com voz de sono.
– São nove horas bela adormecida. Levanta.
– Hoje é sábado Ian. Vá se ferrar.
– Ouch. – Ian fingiu estar sendo golpeado – É assim que você trata a pessoa que preparou seu café da manhã?
– O que tem para comer? – perguntei me levantando e indo em direção ao banheiro.
– Estou terminando de fritar os ovos. Tem bacon, torradas, geleia e café na mesa.
– Caprichou não foi? Vou tomar banho, vê se não come tudo antes de eu sentar na mesa.
Entrei no banheiro e tomei uma ducha rápida, penteei os cabelos e escovei os dentes, então me lembrei que não tinha pego uma roupa para trocar. Senti meu rosto enrubescer e me enrolei na toalha.
– Emmy! Se você demorar mais não vai sobrar nada pra você!
Perfeito, agora eu tinha certeza que ele ainda estava no quarto. Droga! Criei coragem e abri um pouco a porta.
– Ian, pode fazer o favor de ficar de costas?
– Porque?
– Porque esqueci de pegar minha roupa.
Senti meu rosto ficar ainda mais vermelho, se é que era possível. Ele me encarou por alguns segundos e quando percebeu que eu não estava brincando levantou-se imediatamente e saiu do quarto.
– Quando acabar, me chame. – gritou ele através da porta fechada.
Procurei ser o mais rápida possível. É claro que se íamos dividir o quarto durante toda a faculdade essas coisas iam acontecer uma hora ou outra. Mas eu não estava preparada para aquilo, afinal de contas, querendo ou não ele era um homem e eu uma mulher, podíamos até ser amigos, mas isso não deixava as coisas menos estranhas.
Coloquei um top de ginástica, uma legging preta que chegava até um palmo abaixo do joelho e calcei meus tênis de corrida. Era costume meu correr aos sábados pela manhã apesar de não obedecer um horário certo. Assim que fiquei pronta chamei meu amigo de volta. Ian entrou enquanto eu estava em pé na frente de um espelho de corpo inteiro que havíamos colocado na parede ao lado da porta do banheiro, amarrando o cabelo em um rabo de cavalo alto.
– Que roupa é essa? – indagou sentando-se de volta em seu lugar na mesa.
– Vou correr quando terminar de comer. – falei me sentando também e começando a me servir.
– Desde quando faz isso?
– Desde os catorze. E você nunca percebeu porque primeiro estava ocupado demais jogando seus jogos até a alta madrugada, depois veio a fase das festas em seguida a das mulheres. Basicamente você não sabia porque nunca acordou antes do meio dia em um sábado. – dei uma mordida na torrada e continuei falando ainda de boca cheia. – Aliás, o que deu em você hoje?
– Sem jogos, festas e mulheres. Acho que é isso que acontece quando vou dormir cedo.
Ian deu de ombros e nós continuamos em silêncio o nosso café da manhã. Quando acabei, me despedi e desci para me aquecer antes de começar a corrida. Assim que cheguei na rua na frente do dormitório olhei para a janela do nosso quarto. Ele estava lá, olhando para mim com o rosto pensativo. Deixei de lado e comecei a fazer alongamentos. Era estranho o modo como ele estava agindo desde que descobriu que iriámos dividir o dormitório. Comecei a pensar em diversos motivos e descartei alguns deles imediatamente.
Corri um bom pedaço do campus até ficar satisfeita e resolver voltar. Claro que, não havia conseguido chegar à conclusão nenhuma sobre o comportamento do meu melhor amigo e isso estava me deixando irritada. Perguntar para ele estava fora de questão porque eu sabia que ele não diria nada ou mentiria. Precisava arrumar outro jeito de saber e meu cérebro já havia trabalhado demais para uma manhã de sábado. Assim que fui chegando ao dormitório percebi Ian na janela, não sabia se ele ficara ali a manhã toda ou se foi apenas coincidência. Já estava começando a pensar e formular minhas teorias mirabolantes quando fui interrompida.
– Correndo?
– Oi David. É eu costumo correr sábado de manhã.
– Espero que não tenha se cansado. Afinal ainda temos a festa hoje à noite. Ainda está de pé, não é? – disse em tom brincalhão.
– O que? Eu ir com você ou seu convite? – devolvi a brincadeira.
– Será que vai ter festa?
Caímos na gargalhada. David era um cara legal, divertido. Sem querer me peguei pensando em como seria namorar um cara como ele.
– Escuta. Preciso subir e tomar uma ducha. Mas ainda está de pé sim, isso é, se tiver festa.
– Ok. Até mais tarde então.
– Até.
Subi as escadas ainda sorrindo. Talvez essa festa fosse alguma coisa. Quer dizer, durante toda a minha adolescência eu nunca fui convidada por ninguém para ir nas festas. Eu era a estranha da escola lembram? As únicas festas que fui foram as que os garotos fizeram ou aquelas em que eles resolveram me levar. Mas nunca gostei de verdade de nenhuma, primeiro porque eu sempre odiei metade das músicas que tocavam, segundo porque eu não tinha com quem conversar além dos meus amigos e eles estavam ocupados demais enfiando as línguas nas bocas de outras garotas e terceiro porque ninguém parecia me querer ali. As pessoas me olhavam como se eu fosse um intruso, um monstrinho verde do espaço, algo que não está onde deveria estar. Resolvi tirar esses pensamentos da cabeça e pensar positivamente, abri a porta do quarto e entrei.
– Você e esse David estão ficando super amiguinhos mesmo não é?
Ian estava deitado em sua cama com um livro na mão e falou comigo sem nem desviar os olhos da leitura. Era óbvio que ele havia presenciado minha conversa com David.
– Ciúmes Ian? Relaxe. Você é meu melhor amigo. Ele talvez venha a ser outra coisa. – rebati enquanto procurava minha toalha.
– O que? Você tá afim desse cara Emmy?
– Não sei ainda. Mas a possibilidade passou pela minha cabeça.
Ouvi um resmungo e olhei para a cama onde ele estava deitado.
– O que disse?
– Nada. – houve uma pausa. Continuei encarando Ian até que ele baixou o livro e me encarou de volta – Emily, o que você vê nesse cara?
– Ele é divertido, gentil, tem bom humor.
– Só isso?
– Bem, não. Eu só não sei explicar. Tenho uma sensação gostosa quando estou com ele.
– Então não está apaixonada por ele?
– Eu não sei Ian.
Ele pareceu pensativo, parecia estar em um debate interno tentando decidir a forma com a qual agir. Por fim acabou continuando deitado na cama e voltou a ler. Peguei minha toalha, tirei os tênis e a meia e me enfiei no banheiro. Tinha alguma coisa muito errada com ele.
***
Ouvi a batida na porta. Eu estava pronta há pelo menos dez minutos. Tinha ficado na dúvida sobre o que vestir mas no fim acabei optando por ser eu mesma. Coloquei um short jeans surrado, uma camiseta branca e meus allstars vermelhos. Resolvi deixar os cabelos soltos, mas coloquei um elástico no bolso caso quisesse amarrar. Olhei para trás e vi Ian fazendo uma careta que eu ignorei e abri a porta.
– Olá estranha.
– Olá estranho.
– Vamos? – ele me estendeu o braço.
– Claro. – disse aceitando o braço estendido – A propósito, Ian vai com a gente. Até a festa pelo menos.
– Sem problemas.
Pude sentir uma tensão se instalar no ambiente assim que os dois ficaram próximos um do outro. Essa atitude do Ian estava ficando ridícula. Fomos andando até o local da festa porque iria ser numa área grande, com árvores e gramado, que parecia um parque mas não era um parque e que não ficava muito longe do dormitório. Assim que chegamos percebi que no ambiente universitário meu estilo estranho na verdade era bem mais normal do que eu pensava. Havia pessoas com todos os tipos de cortes e cores de cabelo, estilos de roupa, tocavam todos os tipos de música. A universidade parecia ser o paraíso.
Pedi licença para ir cumprimentar alguns colegas de classe e deixei David e Ian sozinhos. Pensei que Ian iria se misturar por aí e fazer o que sempre fazia, procurar uma garota bonita com quem ele pudesse se agarrar mas percebi que ele e David começaram a se estranhar. Me aproximei devagar para ouvir a conversa e interromper caso fosse necessário.
– O que é que você quer com a Emmy afinal?
– O que é que você tem a ver com isso?
– Eu sou o melhor amigo dela. Não vou deixar um idiota que nem você magoá-la.
– Essa sua atitude parece mais com um namorado ciumento. É esse o problema não é? Você gosta dela.
Ok, para tudo. Ian afim de mim? Claro que não.
– Não é da sua conta. Preste bem atenção pois só vou falar uma vez. Eu não vou deixar você ficar com ela. Pode tirar seu cavalinho da chuva amigo, a Emily já tem quem cuide dela.
– Ah, nossa. Estou tremendo de medo. Se toca. Ela nem percebeu que você é apaixonado por ela. Você é só o amigo e jamais vai passar disso. Você tá tão na friendzone que nem percebe que não tem chances.
– Pelo menos para mim ela é importante. Admita, você quer só usá-la não é?
– Se eu disser que sim você vai me bater? Ora vamos, nenhum de nós é inocente aqui.
Resolvi interromper a discussão antes que virasse uma briga de verdade. Cheguei como se não tivesse escutado nada e me aproximei de Ian.
– Hey. Pensei que já estaria correndo atrás das garotas. – falei enroscando meu braço ao dele.
– Desculpe Emmy.
Ele apenas se soltou e sumiu no meio da multidão. Olhei para David e contive a raiva. Eu era tão inocente com relacionamentos que não percebi o que ele queria? Você é uma boba. Devia escutar seu amigo. Resolvi entrar no jogo e ver até onde eu conseguia chegar.
– Então David. O que vocês conversavam? Ian pareceu irritado.
– Nada. Seu amigo é um pouco ciumento. Mas garanti que não há com o que se preocupar.
– Protetor eu diria. Não ciumento.
– Talvez ambos.
David e eu começamos a andar um pouco e curtir as músicas que tocavam, conversamos, dançamos e no meio disso tudo ele sempre aparecia com um copo de alguma bebida. Acho que depois de tanto tempo bebendo com Josh, Ian e os gêmeos eu tinha adquirido uma certa tolerância. Que peninha David, seu plano de me embebedar não vai funcionar. Já perto da meia noite fingi estar um pouco alta apenas para ver qual seria a reação de David que já parecia um pouco bêbado.
– Ei, David. Tem mais alguma coisa para beber aí?
– Se quiser posso pegar para você.
– Mas você tem dois copos. – disse me encostando em uma árvore e fingindo desequilíbrio.
– Você tá vendo dobrado. Eu só tenho um copo.
– Acho que prefiro ir para casa. – disse me afastando e me preparando para ir embora e deixa-lo sozinho.
– Porque princesa? A festa tá só começando.
Ele se aproximou e me prendeu com os braços entre a árvore e seu corpo. Eu já tinha pensado nas possibilidades mas fiquei com medo. Ele era muito mais forte, eu não devia ter chegado tão longe.
– Se afaste dela. Agora.
Olhei para frente e vi Ian nos encarando. Meu cérebro começou a funcionar novamente com o pequeno surto de coragem que a visão dele me proporcionou e eu escorreguei para baixo e saí de perto de David. Ian abriu os braços e eu corri imediatamente para eles, me aconchegando ali.
– Ela tá comigo cara. A gente nem estava fazendo nada. Ainda né? – e deu uma risada.
– Vamos embora Ian. Deixa ele, não vale a pena.
– Ok.
Fomos abraçados até o nosso quarto. Assim que chegamos eu quis me jogar na cama mas fui impedida pelos braços fortes de Ian me abraçando.
– O que diabos você pensou que estava fazendo Emmy?
– Do que está falando?
– Você provocando aquele cara.
– Eu... – Ian estava certo, aquela tinha sido uma ideia estúpida. Eu poderia ter me dado muito mal. Perceber que cheguei perto disso me deixou abalada e eu comecei a chorar. – Ian me desculpe. Eu não pensei direito.
– Eu sei que não, você nunca pensa. É a garota mais idiota que já conheci. Mas eu amo você do mesmo jeito.
Eu já tinha escutado aquelas três palavras, várias vezes, e também já havia dito a mesma coisa para ele incontáveis vezes, mas ouvir elas naquele momento me lembraram da conversa que eu havia escutado mais cedo. Não consegui continuar abraçada a ele. Me afastei e sentei em minha cama. Ele me olhou sem entender nada, baixei a cabeça e resolvi fazer a pergunta que começaria a mudar tudo.
– Você me ama Ian?
– É claro que amo sua boba. – disse ele pegando uma das cadeiras e se sentando na minha frente.
– Não estou falando de amor entre amigos.
Não havia levantado a cabeça ainda mas senti ele se retesar na cadeira.
– De onde veio isso?
– Ouvi você e David conversando hoje cedo. Ele disse que você é apaixonado por mim. É verdade?
Silêncio. Ele se mexeu na cadeira, desconfortável. Quando a resposta demorou a chegar eu levantei a cabeça para encará-lo. Ele olhava a janela e parecia estar enfrentando uma batalha interna. Quando finalmente olhou para mim e nossos olhos se encontraram eu sabia a verdade. Estava estampado em seus olhos desde muito tempo, eu apenas havia escolhido deixar pra lá. Ele me amava de verdade.
Ele sabia que eu sabia, estava nervoso, apreensivo. Eu nunca havia visto Ian desse jeito. Ele parecia com medo. Mas eu também estava com medo. Crescemos sendo amigos, contamos segredos um pro outro, eu sabia de todas as coisas pelas quais ele havia passado, as mulheres com quem tinha ficado, todas as idiotices que havia feito e nós passamos por tanta coisa juntos. E ele também sabia tudo sobre mim, me conhecia como a palma da sua mão, meus defeitos, minhas manias, talvez até melhor do que eu mesma. Nós éramos cúmplices, amigos, companheiros. Sempre considerei Ian um irmão. Mas agora, agora tudo parecia diferente, afinal um irmão não se apaixona por você.
Mas parando para pensar não era isso que as pessoas buscavam quando procuravam alguém? Amizade, companheirismo, cumplicidade, amor. A gente se conhecia, sabia o que um gostava e o outro não. O problema? Eu não me sentia apaixonada por ele. Comecei a pensar em como isso abalaria nossa amizade, e em como tudo ficaria tão estranho entre nós com toda essa história de morarmos juntos agora. Pensei em trancar a faculdade e voltar para casa por um tempo mas eu sabia que não adiantaria de nada. Eu não queria magoar meu amigo.
– Diga alguma coisa Emmy. Ver esse seu cérebro trabalhando nas milhões de possibilidades sobre tudo me deixa nervoso.
A voz de Ian me trouxe de volta de meus devaneios. Ele até conseguia ler minha mente. Será que era tão impossível assim?
– Ian... eu...
– Shh. Antes de você começar a falar alguma coisa estúpida me deixe falar ok? – ele disse pegando minhas mãos e me olhando nos olhos. Assenti com a cabeça e ele continuou. – Conheço você Emmy, sei que você não me vê como algo além de um amigo. Sei que está pensando em tudo o que pode acontecer com nossa amizade agora que você sabe o que sinto, mas quero deixar claro, agora que você sabe eu não vou me contentar em ser apenas seu amigo. Eu quero você Emily. Lembra quando Fisher tentou beijar você naquela festa? Minha vontade de socar o Tom foi tão grande. Passei dias com raiva dele sem ao menos entender o porquê. Quando meses depois você me contou que tinha suas quedas pelo Josh eu senti a mesma raiva me dominando. Tinha vontade de partir pra cima dele. Primeiro pensei que estava sendo muito protetor, afinal não queria que ninguém magoasse minha irmãzinha. Mas depois de um tempo acabei percebendo que não era isso. Eu estava apaixonado por você. Tentei de todas as formas tirar isso da cabeça. Tentei ignorar, deixar pra lá. Mas parecia que quanto mais eu tentava, mais eu me apaixonava por você. Contei aos rapazes e eles queriam de todas as formas fazer com que nós dois ficássemos juntos, mas eu os proibi. Não queria forçar você a nada. E nós fomos crescendo e eu continuei apaixonado até que chegou a hora de irmos pra faculdade. Sabe por que escolhi ficar na Flórida? Porque não queria me afastar de você. Quando aquela garota nos colocou no mesmo dormitório eu fiquei em pânico, sabia que era questão de tempo até você notar, mesmo com esse seu jeito avoado. Mas aí aquele idiota apareceu, e a garota amiga dele não parava de me incomodar. No fim das contas estamos aqui. Você sabe. E eu sei que não sente nada mas, Emmy, por favor, me dê uma chance. Me deixe tentar. Juro que não vou forçar a barra se você decidir que não quer. Voltaremos a ser amigos e tudo isso será deixado pra lá. Porque eu não suportaria perder você. Prefiro mil vezes ser só seu amigo do que não ser nada. O que me diz Emmy? Você me deixa tentar?
Aquela resposta iria mudar toda minha vida. Eu sabia disso. E apesar de achar que seria um erro, apesar de achar que se começássemos não teria mais volta, de que aquilo tudo só poderia acabar em lágrimas, eu disse o que meu coração me mandou dizer.
– Sim.
Aquele foi o começo de tudo. O início. O que acontece a partir daqui é assunto para um outro dia. Por enquanto, deixarei que vocês pensem sobre isso com carinho, e que a imaginação de cada um possa criar a própria história sobre o que vem depois.
***
 Não mudei absolutamente nada no que autora me mandou. Vamos a crítica construtiva, feita por mim, Louise James. - Não leve a mal nada do que eu disser aqui, e se você sinceramente souber que vai reagir mal ao que lerá, por favor, não continue a leitura.
As pessoas ultimamente tem me dito que eu sou imparcial nas decisões que faço, não faço ideia se concordo ou não, mas vejo que essa é uma qualidade que eu devo usar agora.
Sobre o enredo:
A história como um todo, nos mostra uma adolescente, uma menina, que é digamos, "diferente" do que é moldado ou esperado pela sociedade. - Mas que com toda a certeza tem alguma ligação com personagens da vida real. - Isso me encantou muito, embora já tenha lido histórias com personagens parecidas. Porque o diferente me atraí. E uma garota que mesmo sendo coagida pela mãe e pela sociedade para mudar e viver de acordo com o que todos querem, continua sendo ela mesma, é diferença que precisamos.
Ian é seu melhor amigo, o garanhão, que está apaixonado por ela, mas que - por ser uma garota ingênua. - Emmy sequer desconfia. 
Esse foi outro ponto que eu gostei, embora novamente já tenha lido em muitas histórias e para mim tenha se tornado clichê. Porque o que mais vemos é a menina ser apaixonada por um garanhão e ele não dar a mínima para ela. Neste caso ele gosta dela, por ser quem ela é, e Emmy - diferente do que estamos acostumados a ler. - decidi lhe dar uma chance. E eu gosto disso.
Gostei do final, de você ter nos dado a chance de imaginar o que aconteceria dali para frente, mas senti falta de algo como um beijo entre os dois.

A escrita da autora:
A escrita em primeira pessoa foi realmente boa, nada de muitos erros e a autora tem um jeito todo seu de escrever. Com expressões que geralmente não são usadas na escrita, mas que lhe dão um diferencial.
O que eu dou como dica a respeito disso; é que ela apenas dê mais atenção aos detalhes. Como a escrita é em primeira pessoa, você tem um leque de possibilidades para incrementar a história. Uma expressão facial do personagem. O que a personagem principal está sentindo no momento, como se veste ou sobre sua aparência. Como reagiu diante de uma descoberta e coisas do tipo. Mais sobre a personagem em si e os que estão ao seu redor. - Percebi que você se atentou aos detalhes de todo o quarto, isso não é ruim. Mas muitos detalhes podem ser um tanto desnecessários.
A gramática: 
Não há muitos erros na história. Apenas alguns aqui e ali. - O que eu parabenizo a autora, pois o que um leitor procura é uma boa história, seguida por uma escrita considerável e que no mínimo o autor(a) "manje" do básico. E você sabe mais que o básico, no que diz respeito a isso!
Nota final:
O enredo: 6
A escrita da autora: 7
A gramática: 9
Espero ter ajudado nem que seja um pouco. 
Queria dizer que, esta é apenas a minha opinião sobre a história como um todo. Com toda a certeza muitas pessoas têm opiniões que divergem da minha. 
Clique aqui para ler a história e crítica do primeiro lugar:

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