Pseudônimo da autora: Katharynny Gabriella
Nome da História: A Escolhida
A Escolhida:
O
vento ecoava pelo vale, soprando o cabelo ruivo de Teri sobre o rosto, de olhos
fechados,
deitada sobre a grama macia, ela podia sentir a luz forte do sol sobre os seus
olhos
e sua pele, de tão imersa em seu momento sonhador nada mais no mundo parecia
importar-lhe
além da calma que aquele instante lhe proporcionava, e não era de se
espantar
uma vez que seus momentos de paz se tornaram raros desde que ela foi vendida
para
a senhora Belthernan. Não era culpa dos seus pais, ela sabia e não sentia por
eles
nenhum
tipo de rancor, quem imaginava que a mãe engravidaria de novo em uma casa
de
seis filhos quando o permitido era seis, pessoas de castas como a dela não
tinham
muita
escolha e sacrifícios eram preciso quando a vida de um colocava em risco a vida
de
todos.
A senhora Belthernan não era de um todo ruim, afinal mesmo lembrando a Teri
todos
os dias que ela era feia, inútil e que devia a ela sua vida, pelo menos ela não
batia
na
garota, como acontecia com a sua única amiga Vivian, que fora vendida para a
senhora
Galahan.
como
um tapete branco ao longe onde seus olhos enxergavam, o verde vibrante das
árvores
que se amontoavam na floresta, bem além do tapete de flores brancas, dali, do
topo
da colina do vale verde, a garota imaginava uma vida melhor, um bravo e lindo
príncipe
que a salvaria de seu destino vazio e solitário, mas a verdade que doía em seu
peito
era que provavelmente o príncipe Krishnan já estava noivo antes mesmo de deixar
o
berço, e além do mais, como um príncipe olharia para ela? Uma plebeia e
pior: uma
plebeia
vendida pelos pais. Nos contos de fada soavam bonitinho, mas na vida
real os
príncipes
não se casavam com plebeias, se ela tivesse sorte a senhora Belthernan a
casaria
com
um bom homem, talvez um lenhador ou o filho do padeiro, afinal, não seria assim
tão
ruim, não é? Com um suspiro desanimado, Teri levantou e deu uma última olhada
para
o vale, a folga havia acabado e sua mãe adotiva ficaria furiosa se ela
não aparecesse a
tempo
de fazer o jantar, por dentro, Teri implorou para que ela ainda estivesse na
tecelaria
ou a garota já podia visualizar sua expressão carrancuda e os gritos ribombando
as
paredes de sua cabeça.
Ela
caminhava lentamente pela trilha de volta para a estrada que levaria ao
vilarejo
onde morava agora. Os pais viviam no campo com os outros irmãos dela e no
fundo
de sua mente ela se perguntava se eles haviam vendido mais algum deles. Em
parte
ela se sentia feliz, além de ajudar a família, pois o dinheiro alimentaria seus
irmãos
por
um tempo, ela os poupara de quebrar a lei. As famílias não podiam ter mais que
seis
filhos,
pois, com as dificuldades em pagar os impostos, grande parte da população de
Rivervaile
estava em estado de miséria. Para evitar isso, o rei Edward decretara a ordem
de
controle da natalidade ordenando que, no caso de uma nova gravidez, um dos
filhos
deveria
ser vendido para um comerciante viúvo, solteiro ou com a família controlada,
para
cuidar da nova criança que viria a ser um peso menor na responsabilidade dos
pais.
Do
contrário, ou um dos filhos “sobrando” seria morto ou a família inteira seria
presa e
usada
como escrava nas lavouras do oeste e esse era um destino que ninguém almejava.
Enquanto
caminhava absorta em seus pensamentos, alheia inclusive à beleza que a
rodeava,
Teri imaginava seu futuro incerto a partir daquele momento, fazia dez que ela
morava
com a senhora Belthernan, tinha sido levada aos sete anos, não estava
reclamando
nem nada, tivera sorte, mas sentia saudade da família e odiava não poder ter
controle
sobre sua vida. Reprimiu uma lágrima e ignorou o nó que se formava em sua
cabeça
quando sentiu o corpo colidir com algo forte, tudo aconteceu tão depressa que,
quando
ela percebeu, estava caída no chão com as costas doendo e suja de lama
enquanto
um homem alto a observava, curioso.
“Maldição!
– Ela exclamou irritada olhando o vestido sujo de lama. – Porque não olha
aonde
anda?”
“Peço
que me perdoe, senhorita. – Ele estendeu a mão para ajuda-la a se por de pé. –
Eu
vinha
de tal modo absorto em pensamentos que não a vi.”
“Ser
invisível não é nenhuma novidade pra mim. – Ela sussurrou mais para si mesma
que
para o estranho. Ouviu o som de uma risada e ergueu o olhar para ele, furiosa. –
“Acredita
mesmo que um ser humano poderia ser tão tolo a ponto de ignorar sua beleza?
Seria
o mesmo que não sentir o sol que aquece sua pele todos os dias, ou ignorar a
essência
delicada e adocicada de uma rosa.”
Teri
fitou o homem, confusa. Enquanto tentava encontrar sentido em suas
palavras
observou bem seu semblante: Os olhos eram de um verde relva hipnotizantes, os
cabelos
cobriam o pescoço em um tom piche tão intenso que lhe lembrou imediatamente
as
asas de um corvo, o rosto era quadrado e as sobrancelhas espessas. Tinha lábios
carnudos,
mas não exagerados, que se arqueavam em um sorriso delicado cheio de
sensualidade
e, pensou ela, provocação. Era o homem mais lindo que Teri já havia visto.
Mas na verdade eu não vi muitos homens na vida, pensou ela enquanto tentava encontrar
palavras
para responder o estranho.
“Não
sei com as outras garotas que encontrou, mas comigo palavras bonitas não
funcionam.
– Rebateu, cruzando os braços diante de si. O homem riu.”
“Como
te chamas, pequena rebelde? – Sua voz era grave e cheia de certo sarcasmo.”
“Não
sou rebelde. – Teri falou irritada. – E não costumo falar com estranhos.”
“Mas
já o está fazendo. – Ele brincou. – A propósito, mocinhas como você não
deveriam
andar
por ai sozinhas.”
“Mocinhas
como eu, sabem se defender muito bem, senhor. – Bufou, virando-se em
direção
à estrada.”
“Deixe-me
ao menos leva-la até o vilarejo. É lá que você mora, não é?”
“Não
se incomode, eu sei muito bem chegar em casa sozinha. – Dispensou-o andando
sem
se virar.”
“Se
insiste.”
Teri
quase podia vê-lo dando de ombros. Ainda ouviu quando ele tomou impulso
para
subir no garanhão marrom que estava parado alguns passos à frente.Nem um
pouco
cavalheiresco! Pensou
desapontada enquanto seguia caminho. A sensação de tremor ainda
percorria
seu corpo, ela tivera sorte que não era nenhum tipo de ladrão ou assassino, do
contrário
provavelmente estaria morta. Havia algo na expressão do estranho que mexia
profundamente
com ela, o sorriso cínico de dentes brancos e perfeitos, a pele pálida e
macia,
os olhos verdes que pareciam ler o fundo da sua alma, os cabelos desalinhados
que
lhe conferiam um ar descontraído e sexy, ela não sabia dizer com precisão, mas
havia
algo que a puxava em direção a ele. Com grande esforço ela continuou
caminhando
tentando ignorar a dor em seu corpo ferido pela queda e a ânsia de olhar
para
trás.
Quando
se aproximava do vilarejo, Teri ficou imaginando que nunca mais veria o
estranho
atraente mais uma vez. Ainda não entendia muito bem o motivo pelo qual isso
a
desapontava tanto quando, novamente, seus pensamentos foram interrompidos por
uma
voz rouca e seca:
“Ora,
ora... O que temos aqui.”
A
garota sentiu sua espinha gelar. Essa não! – Pensou contrariada. – Tão
perto de
casa assim não! Ela viu as
casas do vilarejo de Rivervaile ao longe, apenas quarenta ou
sessenta
metros, fora o cúmulo da má sorte topar com ladrões logo agora. Antes mesmo
que
ela pudesse pensar em qualquer movimento sentiu a mão áspera tocar sua pele,
virando-a
lentamente para fita-lo. Teri podia ver a pele suada, os cabelos longos e
pretos
sujos
caindo pelos ombros, os dentes amarelos e podres em seu sorriso malicioso
enquanto
a analisava, o fedor de rum e mau hálito vieram ao seu rosto fazendo-a enjoar.
A
visão era repugnante.
“Então,
beleza, aonde vai com tanta pressa?”
“Não
é da sua conta! – Falou, desvencilhando-se dele. Os outros três atrás dele
riram.”
“Oh,
é uma princesinha rebelde, não é? - O homem sorriu puxando-a novamente, dessa
vez
mais para perto. – Vamos ver se é assim tão corajosa quanto tenta parecer.”
“Quer
mesmo testar?”
Teri
puxou do avental de seu vestido uma adaga, pressionando-a na garganta do
homem
que ligeiramente ficou tenso, a garota tentava fixar sua atenção em cada
movimento
dele na intenção de prever qualquer ofensiva que mudasse as posições
colocando
ela no lugar da vítima, seria patético, clichê e o pior: fatal. O homem engoliu
em
seco e os três atrás dele ficaram apreensivos, fitando Teri com cautela, ela
então
reparou
melhor em suas feições, dois deles eram magricelas e não pareciam ter mais de
25
anos. Um tinha cabelos loiros na altura do ombro, o rosto esguio com um nariz
grande
e pontudo. Os olhos eram castanhos e não parecia muito inteligente, embora
fosse
completamente assustador. O outro era baixinho e ruivo, havia sardas em seu
nariz
e um
pouco abaixo dos olhos que eram de um azul lindo, os cabelos eram cacheados,
mas
pareciam igualmente sujos, a pele era amarelada e, assim como todos os outros,
ele
vestia
calças de um preto acinzentado, uma camisa branca, mas amarelada pela sujeira e
botas
sujas de lama. O último era gordo e barbudo, parecia ser o mais velho e estava
tão
quieto
que Teri imaginou se não era o líder dos quatro deixando seus capangas tirarem
uma
folga.
“Tudo
bem, garotinha. – O homem falou engasgando. – Eu só estava brincando.”
“Parece
que eu não entendi direito a brincadeira. E não gostei. – Teri falou
firmemente.”
“Você
não teria coragem de usar isso contra mim, não é? – Ele falou em tom
provocativo.
Teri sorriu e passou a lâmina em seu rosto provocando um corte que o fez
gritar
e afastasse dela bruscamente.”
“Acho
melhor ir embora antes que eu te corte de verdade! – Ameaçou mantendo a
firmeza
embora sua mão estivesse trêmula e seu corpo tenso. Os quatro homens a fitaram
e
começaram a se aproximar dela de uma vez.”
Teri
ergueu a adaga com a mão trêmula em sinal de defesa, quando o som do cavalo se
fez
presente e o estranho apareceu em seu cavalo marrom galopando depressa e
pegandoa
nos
braços fazendo com que sentasse de frente para ele no cavalo. Ele chutou a cara
ensanguentada
do asqueroso ladrão que estava mais próximo e caiu no chão em um
baque
surdo e partiu em disparada para o vilarejo.
“Falei
que não era uma boa ideia uma garota como você ficar andando por ai sozinha. –
Ele
falou em tom debochado.”
“Eu
estava me virando muito bem. – Replicou ela, com um tom de irritação, mas sem
conseguir
conter o alívio. – Quem é você, afinal?”
“Meu
nome é Kris. Moro em um povoado próximo.” – Ele respondeu sem muitos
detalhes.
“Que
povoado, até onde seu não tem mais nenhum povoado além de Rivervaile.” –
Inquiriu
Teri, desafiadora.
“Sabe,
pra alguém que arruma tanta confusão você é bem intrometida não é?” – Ele
soltou
um sorriso provocante que quase fez com que Teri fraquejasse. Como alguém
pode
ser tão lindo dessa maneira?
“E
você? Seu convencido.” – Ela devolveu irritada, desviando o olhar dele.
“Então,
agora vai me dizer o seu nome também ou vou ter que perguntar pros seus pais
quando
chegar à sua casa?”
“É
Teresa. – Disse, em sinal de rendição. – E eu não moro com meus pais.”
“Eles
morreram?” – Kris quis saber, interessado.
“Não.
Eu fui vendida quando minha mãe engravidou novamente. E além do que, eu não
devo
ficar contando sobre minha vida a você, ainda é um estranho!”
“Eu
sinto muito, Teresa...” – Ele falou, e Teri sentiu sinceridade em sua voz.
“Tudo
bem. – Suspirou. – Teri. Me chame de Teri.”
“Está
bem, Teri.” – Um largo sorriso se formou no rosto perfeito de Kris. Teri
imaginou
se o
príncipe era deslumbrante daquela forma. – E acho sinceramente que não sou mais
um
estranho, afinal eu acabei de salvar a sua vida e nós já fomos devidamente
apresentados.
“Não
fica se gabando não.” – Brincou Teri, sentindo-se mais relaxada.
Quando
entraram no vilarejo ela avistou o movimento de pessoas que
caminhavam
de um lado para outro vendendo seus produtos, mulheres carregando os
filhos
enquanto compravam, com algumas poucas moedas, pães e verduras. Apesar de
no
campo a coisa ser bem pior, Teri pensou que no vilarejo nada era assim tão
melhor. O
chão
era de pedra, o vilarejo se formava há mais ou menos três quilômetros do
castelo,
que
se estendia majestoso logo à frente. Teri podia ver as enormes torres que se
alongavam
além da muralha que o cercava, ele era cor de granito e tinha a bandeira de
Edward
hasteada. Um pequeno bosque dividia o espaço entre o palácio e o vilarejo, era
proibido
para plebeus, pois era o lugar de caça particular do rei e de passeio da
rainha.
Rivervaile
era um lugar simpático, as casas de madeira de diversificados tamanhos e
formas
se alongavam pelo lugar, amontoando-se algumas vezes, o comércio era no
centro
do vilarejo e consistia em pequenas lojas e barracas expostas pelas ruas onde
simpáticos
vendedores gritavam as ofertas do dia.
“Pode
parar aqui?” – Ela pediu quando chegaram ao poço no centro de Rivervaile. Kris
atendeu-a
prontamente.
“Vou
vê-la novamente, Teri?” – A pergunta continha um convite implícito e os olhos
de
Kris
exalavam provocação. Ele era uma encrenca na qual Teri queria se meter
desesperadamente.
“Duvido
muito.” – Respondeu, com um ar de indiferença que fez Kris rir.
“Amanhã
à tarde no bosque em frente ao palácio?”
“No
bosque? – Ela parecia surpresa. – Plebeus não podem frequentar aquele bosque.”
“Podem
sim. – Afirmou Kris. – Se os guardas não os virem. – Ele piscou. – Não me
deixe
esperando, pequena rebelde!”
E
dizendo aquilo saiu em disparada na direção do castelo virando em uma
esquina
e fazendo Teri perde-lo de vista. A garota suspirou mantendo o olhar na direção
onde
ele sumira e sentindo-se tola por estar tão facilmente encantada por um
estranho
metido
e autoconfiante demais. Um riso debochado de si mesma saiu em um murmúrio
pelos
seus lábios quando ela se lembrou que estava mais do que atrasada e que,
certamente,
ouviria a histeria da senhora Belthernan.
“Onde você se meteu?!” – A voz aguda e rouca
da senhora Belthernan recepcionou Teri
em
tom acusatório e furioso assim que a mesma cruzou a porta. –“E olhe esse estado
deplorável!”
“Desculpe-me,
senhora Belthernan, acabei perdendo a hora no vale.” – Desculpou-se
Teri
apressando-se em ir para cozinha enquanto era seguida pelos berros incansáveis
da
mulher.
“Eu
não comprei você para ficar a toa pelo vale achando que é filha de
condessa! Trate de
cuidar
do jantar! Trabalhei o dia inteiro e estou faminta! Você já acha pouco não ter
nenhum
atrativo físico e ser completamente inútil? Quer adicionar incompetente à sua
lista
de atributos também?!” – Vociferou a mulher agora parada à soleira da porta da
cozinha.
“Perdoe-me,
senhora Belthernan, não tornará a acontecer.” – Garantiu Teri.
“Eu
realmente espero que não, Teresa! Não quero ser obrigada a trancá-la em casa.”
Teri
sentiu uma onda de terror percorrer-lhe a espinha e engoliu as lágrimas
enquanto
cortava as verduras que usaria no ensopado e agradeceu mentalmente a si
mesma
por ter ajeitado o coelho mais cedo, assim o trabalho demoraria bem menos. Ao
terminar,
correu para preparar o banho da mulher que esperava impaciente no quarto,
deitada.
Teri trabalhava rápido, enquanto tentava ignorar as palavras sarcásticas e
afiadas
da senhora Belthernan. Os comerciantes eram o terceiro posto na hierarquia de
Rivervaile,
abaixo apenas daqueles que tinham algum título como duque, marquês ou
conde,
a senhora Belthernan era a principal tecelã do vilarejo e tinha o empório de
roupas
que atendia grande parte dos nobres, inclusive a própria princesa Anica, irmã
do
príncipe
Krishnan. Quando terminou de colocar a água na tina e despejar as pétalas de
rosa
e a essência de jasmim, Teri ajudou a mãe postiça a tirar a roupa e entrar na
banheira
e enquanto ela tomava banho desceu para cuidar do ensopado que cozinhava
preguiçosamente
no caldeirão no fogo à lenha.
Teri
tinha os pensamentos completamente voltados para Kris, o estranho
arrogante
no cavalo marrom. Um sorriso sonhador despontou em seus lábios e logo veio
a
ansiedade e expectativa pelo encontro no dia seguinte, algo dentro dela lhe
dizia que
não
era certo fazer aquilo, mas bem no fundo de sua mente ela não se importava com
isso,
havia algo em Kris que a deixava completamente hipnotizada e alheia à
certezas e
dúvidas.
Depois do jantar, a garota saiu em direção à sua modesta alcova tomou um
rápido
banho e deitou-se. Estava exausta, fora um longo dia e não demorou muito para
que
ela imergisse completamente em um sono profundo onde seu bravo e belo
forasteiro
misterioso
vinha salvá-la da morbidez.
Na
manhã seguinte, durante o café, a senhora Belthernan parecia melhor
humorada.
Ela era uma mulher por volta dos 42, baixa e gorda, não havia tido filhos e os
dois
maridos que passaram pela sua vida morreram. Teri observava o rosto rechonchudo
e
rosado, os cabelos grisalhos levemente amarelados escapando do coque e o
vestido rosa
armado
que ela vestia para mais um dia de vendas.
“Boas
novas, Teresa! – Falou ao sentar-se à mesa, exibindo um sorriso largo no rosto.
–
Creio
que muito em breve você se casará?”
Teri
empalideceu, o copo em suas mãos caiu entornando todo o leite com creme que
havia
dentro dele, o corpo da menina enrijeceu e ela tentou inutilmente recobrar a
postura.
“Desculpe-me...
– Pediu enquanto limpava a sujeira. – Prepararei outro em um minuto.”
“O
jovem Baltazar virá jantar conosco esta noite, ele é o filho do conde de Waves,
portanto
asse carneiro com verduras frescas cozidas, pula a prataria, retire os pratos
de
porcelana
russa e separe o melhor vinho da adega!”
A
menina estava estática, tamanho fora o choque que a tomara. Irritada a mulher
vociferou:
“Estás
ouvindo, inútil?”
“Sim,
senhora.” – Teri assentiu voltando a si e servindo outra caneca de leite para a
mulher.
“Dê-se
por grata por lhe arrumar tal pretendente! Eu poderia tê-la comprometido com o
filho
do ferreiro!” – Cuspiu as palavras com indiferença. – Vou lhe trazer um vestido
adequado
para a ocasião. Assim, talvez disfarce a sua falta de beleza.
“Obrigada,
senhora.” – Teri falou baixinho voltando para a cozinha.
“Volto
para casa às cinco! Se não encontra-la aqui com tudo pronto você terá
problemas,
entendeu?”
– Gritou a mulher ameaçando.
Teri
permaneceu calada, escorada a pia de pedra ela respirava fundo diversas
vezes
na tentativa de se acalmar. Ainda não estava ciente se todo o seu choque foi
pelo
fato
de ter sido escolhida para o filho de um conde – e ela não fazia ideia de como
Belthernan
havia conseguido a façanha – ou se pelo fato de casar propriamente dito.
Desde
o início sabia que esse seria o seu destino, mas ela não o queria, não desejava
ser
forçada
a casar com um homem pelo qual não sentia nada. Afugentando rapidamente
aqueles
pensamentos ela se apressou em cumprir seus deveres, se terminasse tudo cedo
daria
tempo ir ao seu encontro com Kris. Às duas tudo estava pronto, ela precisaria
chegar
em casa meia hora antes para esquentar o carneiro e as verduras, apressando-se,
tirou
o avental, colocou uma capa e cobriu a cabeça com o capuz, saindo de casa pelos
fundos.
Ainda não tinha ideia de como entraria no bosque do rei, mas sua vontade de ver
Kris
era maior que qualquer empecilho.
Ela
esgueirou-se pelas ruas optando pelas menos movimentadas, evitando pessoas
que
a conheciam e caminhando naturalmente, afastando completamente a tensão que se
espalhava
pelo seu corpo. Quando chegou próximo ao bosque avistou Kris encostado em
uma
árvore, vestia culotes marrons, botas pretas, uma camisa branca aberta até a
metade
do
peito deixando a mostra os músculos de sua pele alva, os cabelos estavam
desalinhados
e ele tinha aquele sorriso insinuante no rosto. O olhar brincalhão percorreu
Teri
de cima a baixo e ela se perguntou como conseguiria raciocinar diante dele.
“Teri
você está parecendo uma fugitiva! – Ele riu. – Para que essa capa?”
“Apresse-se,
eu tenho que voltar logo.” – Ela falou tentando conter o nervosismo e a
ansiedade.
“Tudo
bem, venha comigo pequena rebelde.”
“Pare
de me chamar assim!” – Ralhou ela.
O
som da risada de Kris só fez com que Teri ficasse ainda mais tensa, ela temia
que
os guardas ouvissem os dois e tivessem problemas. Kris a guiou entre as árvores
e os
dois
seguiam cada vez mais dentro do bosque que, Teri admitia, era deslumbrante.
Olhando
para o dossel das árvores ela via raios de sol penetrando as pequenas frestas
entre
as folhas, a vegetação rasteira ostentava flores dos mais diversos tipos de
cores e
tamanhos,
aqui e ali ela era surpreendida por um coelho ou um cervo. Um pequeno rio
passava
por ali, mais ao fundo, Kris continuou andando até parar em um muro de pedra
coberto
por uma cortina de trepadeiras com belíssimas flores arroxeadas, erguendo as
plantas
ele deixou a mostra uma porta que abriu quando ele empurrou. Puxando Teri
com
pressa eles entraram e ela teve a vista do pequeno jardim particular. Um
balanço
havia
sido posto ali, uma fonte funcionava bem no meio jorrando água através da boca
de
um golfinho de pedra, várias espécies de flores se estendiam por todos os
lados, dois
bancos
estavam dispostos em cada um dos cantos, o lugar parecia mágico.
“Gostou?”
– Ele perguntou sorrindo diante do olhar deslumbrado de Teri.
“Como
você sabia desse lugar?” – Ela perguntou ainda sob efeito do encantamento.
“Eu
sei muita coisa, pequena rebelde.” – Ele sorriu e Teri lhe lançou um olhar de
irritação
que logo se transformou em riso também.
“Você
é irritante assim com todo mundo ou eu estou recebendo tratamento especial?”
“Ainda
não te mostrei a melhor parte. – Ele falou ignorando a pergunta. – Vem comigo.”
Kris
a levou até um arco de flores que havia aos fundos e ordenou que ela esperasse,
foi
até
o outro lado e puxou uma corda que fechou uma claraboia no teto do jardim
deixando
apenas um pequeno feixe de luz sobre o lugar onde ela estava.
“Preparada?”
– Ele perguntou, sorrindo. Ela arqueou a sobrancelha, confusa, tentando
ordenar
sua respiração.
Kris
puxou o galho de uma trepadeira do arco de flores que agitou-se e várias
borboletas
de variadas cores voaram em volta de Teri, suas asas eram iluminadas pelo
feixe
de luz e pareciam cintilar com o toque, a garota estava extasiada, uma das
borboletas
pousou no seu ombro e quando ela abriu a mão uma delas parou lá. Teri
observou
as asas azuis com listras pretas irregulares, pequenas bolinhas vermelhas
minúsculas
e quase imperceptíveis se alongavam no contorno das delicadas asas. Kris
sorria
enquanto a olhava, deslumbrada por algo tão simples, Teri imaginava o que ele
estaria
pensando dela, mas ao olhar nos profundos olhos verdes de Kris, ela notou que
ele
estava tão deslumbrado quanto ela, mas não por causa das borboletas.
“Sabe Teri... Há tempos eu não via algo tão
lindo...” – Ele sorriu.
“Eu
nunca havia visto nada assim...” – Teri falou, encantada, enquanto caminhava ao
lado
dele para sentar-se em um dos bancos. – “Você não me disse como achou esse
lugar.”
“Eu
já vim aqui muitas vezes. Normalmente não há guardas nesse lado do bosque,
porque
o rei e a rainha costumam ficar sempre mais próximos do palácio. Esse é meu
lugar
favorito em todo mundo e você é a primeira pessoa que trago aqui.”
“Sou?
– A garota o olhou cheia de desconfiança. – Está tentando me seduzir, é isso?”
Kris
riu e Teri ficou observando o modo como ele ria, os dentes brancos e perfeitos,
o
modo
como seu pescoço se arqueava para trás e o pomo de adão se tornava evidente.
Ele
virou-se
para ela, olhando-a fixamente e segurou sua mão.
“Isso
seria ótimo, pequena rebelde.”
“Pois
saiba que não vai funcionar.” – Retirou a mão delicadamente do contato com a
dele.
“Me
diga, quantos anos tem?” – Quis saber Kris, mudando de assunto.
“16.
A senhora Belthernan me comprou aos sete. E você?”
“19.
Onde você morava antes?”
“No
campo. Em Parkfield... Minha família ainda mora lá. E você? Onde fica esse seu
vilarejo
misterioso do qual eu nunca ouvi falar?”
“Na
divisa com Wetherfield... Se chama Rizelvaile. – Por algum motivo, Teri não
conseguia
acreditar naquilo. – Pouca gente aqui conhece.”
“Pois
é, eu mesma nunca ouvi falar.”
“E
como é a senhora Belthernan?” – Perguntou Kris, curioso.
“Ela
é... Tolerável. – Pensou Teri, falando baixinho enquanto mexia
nervosamente na
ponta
da capa. – Quer dizer, eu tive mais sorte que a maioria das meninas e meninos
que
é
comprado. Ela não me bate, nem me deixa sem comer...”
“E
isso acontece com outros?” – Kris parecia surpreso.
“Sim.
Como você não fica sabendo? Lá no seu vilarejo ninguém nunca foi
vendido? – Teri
inquiriu
desconfiada. – Tenho uma amiga que apanhou até o dia que casou e se libertou
da
mãe postiça.”
“Isso
é horrível! – Kris desconversou da pergunta. – O rei por acasos sabe dessas
coisas?”
“Não
sei. – Teri deu de ombros. – E mesmo que soubesse, que diferença faria? Se ele
decreta
que sejamos vendidos, duvido muito que se importe.”
“É o
que você pensa, Teri?” – Por um instante, Kris parecia magoado.
“Você
não sabe como é ser vendido.” – Ela sussurrou mais para si mesma.
‘Diga-me
algo, Teri. Você acredita no amor?”
Ela
riu. “Sabe, você vai me achar idiota, mas já sonhei várias vezes que o príncipe
Krishnan
me salvava de meu destino de desolação.” – Teri sentiu o rosto queimar.
“Sério?
– Kris sorriu. – E você já viu o príncipe Krishnan?”
“Não...
– Disse desapontada. – Ninguém no vilarejo o viu. Parece que ele não sai muito.
Só
conhecemos o rei e a rainha. E eu já vi a princesa Anica uma vez. Ela compra os
vestidos
da senhora Belthernan.”
“E
você queria conhecer o príncipe?”
“Não
sei... Acho que não.”
“Não?!”
– Ele parecia confuso e ao mesmo tempo surpreso.
“Não...
Eu tenho uma visão dele, tenho medo que me decepcione se conhecê-lo. Além
do
mais de que adiantaria? Ele provavelmente já deve estar noivo de uma princesa
rica,
deslumbrante
e educada. Nunca olharia para uma garota feia, pobre e inútil como eu.”
“Não
diga isso... – Ele segurou a mão dela novamente. – Se ao menos pudesse ver em
si
mesma
a beleza e a força que tem. O príncipe seria um tolo se a recusasse.”
“Como
pode saber, você nem é daqui! – Contrapôs-se ela. – E por falar nisso, o que
você
está
fazendo aqui?”
“Não
acreditaria se eu dissesse. – Fez uma pausa. – Teri, posso te ensinar uma
coisa?”
“O
que é?” – Perguntou desconfiada.
“Feche
os olhos e só abra quando eu mandar.” – Ele sorriu docemente.
Ela
obedeceu. Espasmos de tensão e expectativa começaram a correr pelo seu
corpo,
ela sentiu a respiração de Kris ir ficando cada vez mais perto e um segundo se
passou
até que ela sentisse o toque macio dos lábios dele encontrarem os seus, de
início a
garota
ficou sem ação, nunca havia sido beijada na vida, mas logo que Kris colocou a
mão
em sua nuca ela relaxou e entregou-se ao momento tentando imitar os movimentos
dos
lábios dele. Kris a beijava como um sussurro, com uma delicadeza e uma
gentileza
que
Teri nunca imaginou serem possíveis em um contato íntimo, ela sabia que devia
recuar,
bater nele e ir embora, era o correto, mas não conseguia se separar dele, seu
coração
se elevara a um nível tão alto que aquele estranho lhe abriu as portas do
paraíso.
Ela
não conseguira parar de pensar nele, e agora diante desse gesto não havia mais
dúvidas
de que se apaixonara por ele à primeira vista. Quando Kris se afastou viu as
lágrimas
nos olhos de Teri e sentiu-se mal:
“Meu
Deus, Teri perdoe-me, não queria magoá-la eu só...”
“Não...
– Ela o cortou. – Não é nada disso.”
“Então
o que foi? Porque está chorando?” – Ele falou colocando a mão no rosto dela e
acariciando-o
com suavidade.
“Você
não deveria ter feito isso... – Admitiu. – Apenas alimentou meus sentimentos
por
você
quando não pode correspondê-los.”
“Claro
que posso! – Contrapôs-se ele com firmeza. – Tanto é que a beijei porque desde
ontem
não paro de pensar em você!”
“Não.
Não pode. – Afirmou Teri com convicção. O olhar de Kris a fitou confuso e
triste.
– A
senhora Belthernan vai me comprometer hoje com o filho de um nobre, o conde de
Waves.”
“O
que? – Kris parecia chocado. – Mas você o ama?”
“Eu
sequer o conheço, imagine amá-lo! – Bufou Teri secando as lágrimas. – Mas é o
que
acontece
com as garotas vendidas. As mães postiças casam-nas com homens que podem
lhe
oferecer um bom dote em troca. Não sei como ela conseguiu um conde, normalmente
são
padeiros, ferreiros, lenhadores...”
“Não
pode! – Esbravejou Kris. – Você não pode ser forçada a casar com ele! É comigo
que
você tem que ficar.”
“Não
funciona assim, Kris. Eu não tenho escolha. – Explicou com voz trêmula. –
Eu tenho
que
ir, não posso mais vê-lo.” – Levantou-se e disparou pelo jardim.
“Teri,
não, por favor!” – Implorou ele detendo-a pelo braço.
“Você
não entende? – Ela voltou-se para ele tornando a chorar. – Você ganhou um
coração
que não pode separar-se do corpo! Amando você serei tomada por outro e tudo
que
resta é a ruína dos meus dias destinados à amargura.”
E
dizendo isso soltou-se e disparou pelo bosque.
Quando
alcançou o meio do bosque, orientando-se pelos pontos de referência que
guardara,
Teri foi pega pelos guardas que passavam por ali, sentiu seu corpo petrificar
quando
um deles a viu e apontou para ela gritando:
“Ei!
Pare, você não deveria estar aqui!”
Sem
pensar, a garota começou a correr, nem adiantaria gritar por socorro, ela era
a
ameaça não eles. As lágrimas embaçavam seus olhos e de repente ela
tropeçou na raiz
de
uma das árvores e caiu. Os guardas que a perseguiam conseguiram se aproximar e
a
agarraram
pelo braço, eles usavam armadura e Teri se perguntou como conseguiam
correr
tão rápido com pelo menos cinco quilos de metal sobre o corpo. Espasmos de dor
se
espalhavam por cada músculo do corpo cansado de Teri, mas a maior dor estava em
seu
coração, ela nem parou para prestar atenção nos homens que a seguravam, apenas
ouviu
a voz grave e irritada de um deles.
“O
bosque real é proibido para os plebeus! Uma noite no calabouço deve ensiná-la a
seguir
as regras.”
“Por
favor, eu não fiz por mal eu só...” – Tentou explicar-se.
“Sem
desculpas! Terá sorte se o rei poupar-lhe a vida!’ – Bradou o guarda.
‘Soltem-na.”
– Uma voz grave e imperativa soou atrás de Teri, o guarda que a segurava
fez
uma leve mesura assim como o outro e a garota não se virou.
“Alteza,
essa plebeia foi encontrada no bosque real, ela deve...”
“Solte-a
agora!” – A voz ribombou pelas árvores firme e direta. A mão que
apertava o
braço
de Teri afrouxou e pendeu do lado do corpo do guarda. – “Agora saiam. Cuidarei
disso
pessoalmente.”
“Como
desejar, alteza.”
Os
dois homens voltaram pelo mesmo caminho onde vieram, Teri permaneceu
imóvel
tentando afastar de si o som daquela voz. Se o guarda chamou de alteza
significava
que atrás dela estava o príncipe. Um tremor passou pelo seu corpo quando
uma
mão gentil e suave tocou-lhe o braço:
“Você
está bem?” – A voz era doce, terna e o pior: conhecida. Teri virou-se e
teve sua
confirmação.
“Você...
O que...”– Balbuciou incapaz de continuar.
“Teri,
eu sinto muito eu deveria ter contado...” – Kris começou a explicar, mas Teri
não
estava
ouvindo, sua mente dava voltas e seu estômago estava revirando.
“Não...
Não é verdade...” – Ela se afastou, chocada e se sentindo idiota.
“Eu
me visto como camponês para ninguém me reconhecer fora do castelo, meu pai tem
muitos
inimigos... E...”
“E
você gosta de sair por ai iludindo garotas feias e idiotas, é isso? – Acusou
ela,
frustrada.
-“Isso é cruel, Kris! Ou devo chama-lo de príncipe Krishnan? Ou
ainda, Sua
Alteza?”
“Teri,
por favor, não é nada disso, me deixa explicar...” – Ele parecia triste,
constrangido
e
tão frustrado quanto ela.
“Explicar
o que? Que eu fui uma piada? Que você vai rir disso com a sua noiva e sua
irmã
mais tarde?!” Gritou, furiosa. “Acha que porque você é o príncipe tem o direito
de
brincar
com quem quer? É isso?”
“Não!”
Ele gritou. “Pode me escutar, por favor?”
Ela
se virou e saiu correndo em disparada. Ainda ouviu quando Krishnan gritou o
nome
dela implorando que voltasse, Teri não sabia o que a fazia sentir pior, o fato
de
estar
apaixonada por ele, o fato de ter sido enganada ou fato de ele ser o príncipe
de
Rivervaile.
Ela percorreu a pequena cidade sem parar nem olhar para trás, tanto foi que
quando
chegou em casa sentiu uma dor grande nas pernas que tremiam pelo esforço. Ela
se
apressou em esquentar tudo e tomar um banho longo enquanto tentava ao máximo
abandonar
as lágrimas que deixariam seu rosto inchado.
“Teresa?!”
Bradou a voz da senhora Belthernan no andar de baixo. “Teresa desça já
aqui.”
“Sim,
senhora.” – A garota falou do topo da escada descendo os degraus levemente.
“Aqui,
vista isto.” – A mulher falou entregando-lhe um vestido. – “Está tudo pronto?”
“Como
ordenou, madame.” – Garantiu a menina.
“Perfeito.
Eu vou tomar um banho e dormir até os convidados chegarem, até lá não me
importune.”
“Como
desejar, madame.”
Quando
a mulher desapareceu no alto da escada, Teri olhou para o vestido em
suas
mãos, era azul, delicado e fino ficaria perfeito em seu corpo. Mas aquilo não
lhe
trazia
nenhuma alegria, ela sentia que estava indo para a forca enquanto olhava
apaixonada
para seu carrasco.
Os
convidados chegaram na hora aprazada, Belthernan atendeu-os cheia de
pompas
e honrarias, Teri quase podia ver as lágrimas em seus olhos quando o jovem
cavalheiro,
que ela acreditava ser Baltazar, sussurrava algo em seu ouvido. Alguns
minutos
se seguiram e novamente houve batidas na porta, o corpo de Teri retesou
completamente
quando ela ouviu a voz de Belthernan soar exagerada, alta e trêmula:
“Alteza!”
“Senhora.”
– Krishnan beijou a mão dela delicadamente curvando-se de leve.
“Que
honra tê-lo conosco em tão comemorativo momento! Não imaginava a surpresa de
tê-lo
em minha humilde casa.”
“É
um prazer desfrutar de sua hospitalidade, senhora. Os noivos já foram
apresentados?”
“Oh,
não...” Ela falou, sem graça. “Venha comigo, jovem Baltazar, sua noiva o espera
na
sala.”
Teri
sentiu o corpo tenso, quando provara o vestido vira que ele se ajustara com
perfeição
ao seu corpo, era simples, mas elegante. O decote quadrado não era exagerado
e os
detalhes em renda davam-lhe um ar de graça. Mesmo assim ela se sentia incômoda
como
se estivesse nua, situação que piorou quando o olhar aflito de Krishnan cruzou
com
o seu.
“Teresa,
este é Baltazar de Waves.”
“Encantado,
senhorita.” – O jovem aproximou-se tomando a mão de Teri e beijando-a. –
“A
madame poupou-me dos detalhes de tão singular formosura.” – Ele censurou
dirigindo-se
à Belthernan, que riu sem jeito.
“Queria
deixar-lhe tirar suas próprias conclusões, milorde.” – Explicou-se ela.
“Milorde.”
Teri fez uma mesura e tentou soar suave e despreocupada.
“Gratos
olhos que contemplam a beleza do alvorecer que humanizou-se em tua forma,
Teresa.”
Disse Krishnan tomando a mão de Teri e beijando-a suavemente.
“É
uma imensa honra, alteza.” Teri curvou-se em uma mesura sentindo-se tonta e
enjoada.
“Então,
podemos jantar e oficializar o noivado?” Belthernan perguntou aparentemente
irritada
com o cortejo do príncipe.
“Creio
que não será possível, senhora.” Krishnan falou para surpresa de todos. “Lady
Teresa
é solicitada na presença de meu pai.”
“Não
compreendo” O conde de Waves finalmente manifestou-se.
“Fora
escolhida no povo, durante um mês uma princesa.” Krishnan começou a explicar.
“Fui
incumbido de eleger no povo uma princesa para o povo e, portanto, após
um
encontro
casual com esta jovem, ela é minha escolha.”
“Sua
alteza... Fala sério?” Baltazar parecia chocado e a senhora Belthernan não
conseguia
falar, assim como Teri.
“Se
a jovem me der o prazer de sua companhia, gostaria de leva-la ao castelo
imediatamente.”
Teri
anuiu estupefata, enquanto todos, ainda sob efeito do susto, tentavam
entender
a situação e não se atreviam a interferir. Suas pernas travavam e ela mal
conseguia
se mexer enquanto o príncipe a conduzia até sua carruagem e a ajudava a
entrar
ele entrou logo em seguida e começou a lhe explicar:
“Sei
que há muito que quer saber, Teri, e sinto muito ter mentido para você. O que
eu
disse
lá dentro é verdade, é algo que venho conversando com meu pai há anos. Eu não
queria
ser forçado a me casar com alguém que não amo e muito menos alguém de fora
que
não liga à mínima para os meus súditos. De início ele foi totalmente contra
colocar
uma
plebeia no trono, então pedi-lhe um mês, e ele concordou que se eu me
apaixonasse
nesse
tempo ele consentiria o casamento.”
Sem
palavras a garota apenas limitava-se a olhar para ele, encolhida no banco da
carruagem.
Krishnan sentiu-se mal e segurou sua mão com carinho.
“Por
favor, fale alguma coisa.” Ela continuou calada. “Teri?”
“Eu
poderia passar o resto da noite dizendo por que, mas vou resumir de forma bem
simples:
Você é encantadora, autêntica, se preocupa com os outros, tem prazer com
coisas
simples e me amou pelo que eu era sem saber que eu era o príncipe.”
Krishnan
sorriu e Teri sentiu-se flutuar em uma nuvem, não conseguia digerir nada do
que
estava acontecendo.
“Então,
Teresa, você aceita se casar comigo?”
“Vai
precisar construir um balanço para mim naquele jardim se quiser se redimir!”
Teri
sorriu
olhando a expressão aliviada e suavizada de Krishnan que a fitava com adoração
e
carinho.
“Mas acho que posso pensar na sua proposta.”
Falou
sarcástica enquanto Krishnan se aproximava dela e tomava-lhe os lábios em um
beijo
voraz e apaixonado.
Teresa
foi a primeira princesa plebeia do mundo, ela fez pelo povo mais do que
qualquer
rei ou imperador antes dela. Rivervaile tornou-se um reino vasto, próspero e
feliz,
as vendas de família foram terminadas e ela pôde rever seus familiares assim
como
supervisionou
a volta para casa de muitos filhos vendidos. Com Krishnan ela teve dois
filhos,
Tristan e Malcon. Aos poucos a paixão de Teri e Krishnan se fortaleceu em um
amor
intenso e uma admiração mútua, os dois tiveram uma vida feliz e criaram seus
filhos
para se tornarem regentes bons e justos.
Houve
muito na história de Teri, desde a sua chegada ao castelo até sua posição como
princesa
e, posteriormente, rainha de Rivervaile, mas esse conto fica para outra
história.
***
Nada aqui diverge do que a autora nos mandou.
A crítica construtiva foi feita por nossa avaliadora: Brenda Camões.
Não
leve a mal nada do que for dito aqui, e se você sinceramente souber
que vai reagir mal ao que lerá, por favor, não continue a leitura.
Crítica Construtiva:
Sobre
o enredo:
Achei interessante e super legal o modo como a autora descreveu os
acontecimentos e os lugares, levando em conta o fato de ser uma história
mediaval, o que faz com que o autor tenha atenção redobrada ao
escrever.
A gramática também foi um ponto forte da autora.
Sobre os personagens:
Esse é um ponto a ser melhorado. Quando lemos uma história, esperamos
alguma dica de como seja o personagem, de sua aparência e o modo com
reage a tudo. É a questão do perfil, alguém tímido, extrovertido,
sorridente, etc... É o que abre nossa imaginação. E a autora não
descreveu o comportamento dos personagens.
Outra coisa que eu gosto ao ler uma história do gênero romance é saber onde
está o foco principal.
Ao ler uma história eu acho importante ver os
personagens se conhecendo e interagindo entre si. Descobrindo defeitos e
qualidades, esse tipo de coisa que nos cativa e que nos faz shippar um
casal. E a autora acabou fugindo um pouco do gênero quando focou a
relação da personagem principal com a mãe adotiva, quando esperávamos
uma ênfase especial na interação dela com o príncipe, que foi um ponto
obtuso na história, tendo em vista o fato de que os personagens se
casaram sabendo apenas o nome um do outro.
Minha nota final : 6 ***
Como comentário pessoal eu, Louise, tenho certeza que a história seria maravilhosamente viciante se a autora escrevesse dividida em capítulos, como ela gostaria de ter feito. Pois a atenção se voltaria ao casal em si, sem precisar dos detalhes da mãe adotiva.
***
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Como comentário pessoal eu, Louise, tenho certeza que a história seria maravilhosamente viciante se a autora escrevesse dividida em capítulos, como ela gostaria de ter feito. Pois a atenção se voltaria ao casal em si, sem precisar dos detalhes da mãe adotiva.
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Eu suprimi a história em uma one de até 8.000 palavras... Acho que isso foi um ponto negativo ao meu favor, eu não consegui explorar o que deveria, porque na verdade, ela já tinha passado de 20.000 palavras e só podia 8. Mesmo assim eu fiquei muito surpresa por ter conseguido o terceiro lugar! Nem acreditava que ia ser classificada! Só participei porque não custava tentar! Muito obrigada por tudo, fiquei muito feliz mesmo que tenham gostado! Eu decidi continuar escrevendo essa história e torná-la uma trilogia!
ResponderExcluirObrigada por tudo e de verdade, estou feliz demais de ter sido uma das finalistas!
Katharyny!!! Parabéns Diva...<3
ExcluirTenho certeza que a história fará muito sucesso sendo contada do jeito que você planejava! Você escreve muito bem, gostamos de verdade! :D
E ai? Vai querer ou não ser uma das autoras do blog? o.O
Acho que nem todas vocês leram o post sobre o resultado do concurso.
#Louise
Eu não posso assumir esse compromisso Mari, eu tenho o meu blog e com a faculdade eu mal entro nele, se eu assumir a responsabilidade de escrever pro Louise Fanfics tem que ser uma coisa que me possibilite fazer em um tempo maleável, eu não vou poder postar toda semana nem nada do tipo. Se puder ser assim eu vou adorar fazer parte. Mas se for algo que toda semana tenha que ser atualizado não vai dar,fanfics, trabalhos, provas, livros eu não disponho de muito tempo as vezes nem pro meu próprio blog. Então, dependendo das condições eu adoraria fazer parte e falar de livros ou fanfics que eu li.
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